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“A busca através da  política e religião é de uma ética verdadeiramente humanista”

Tempo de leitura: 3 minutos

“A busca através da política e religião é de uma ética verdadeiramente humanista”

Psicóloga que aprendeu com Paulo Freire o método de alfabetização de adultos escreve de modo sucinto uma reflexão sobre o mundo contemporâneo

Para a psicóloga, psicanalista e escritora Ana Mariza Fontoura Vidal, o mundo assiste ao fracasso ocidental em questões humanitárias básicas. Saúde, educação, emprego, carências comprovadas por índices de desenvolvimento humano baixíssimos. Um olhar particular desta realidade é apresentado no livro O triunfo de Pelágio e o mundo sem a Graça.  

 

Em 84 páginas, a autora analisa criticamente o ocidente, especialmente o Brasil, além de apresentar uma tese de como a experiência cristã, distinta da religiosidade, pode transformar as pessoas e o mundo em um lugar melhor. O ensaio se desdobraria inicialmente em um projeto de pesquisa, mas acabou virando livro após a descoberta de um câncer, em 2020. A ela foram dados seis meses de vida, daí a decisão de publicar o livro. Ana queria reverberar o tema que, para ela, merece sempre ser discutido.

 

A psicóloga, servidora federal aposentada, também é autora de A beleza última,  escrita como memória a sua família. Na autobiografia, ela registra a experiência política durante os anos de ditadura militar e a sua perspectiva sobre a ética e a política a partir do exercício da fé. Na adolescência, Ana morou em Recife e conviveu com Paulo Freire, com quem aprendeu a aplicar o método de alfabetização de adultos. Seu apoio voluntário  ao educador transformou-se um sua militância política. Ela também foi abrigada em termos políticos pelo então arcebispo Dom Helder Câmara, preso em domicílio com quem aprendeu sobre a vivência do Cristo ea ética dela decorrente.

 

Abaixo, a carioca nascida em 1945 e radicada em Piracicaba, SP, compartilha sua trajetória e visão de mundo.

 

Sua carreira literária iniciou após sua aposentadoria. Qual a principal motivação para começar a escrever?

Ana Mariza: Minha principal motivação é o desejo de compartilhar conhecimentos que adquiri e que vejo como necessários, como fonte de informação para pessoas que não tiveram as mesmas oportunidades que tive.

 

Na juventude, você teve contato com nomes como Paulo Freire e Ariano Suassuna. Como foi esse período e de que forma influenciou na sua trajetória?

Ana Mariza: Com 17 anos e já morando em Recife, comecei a trabalhar no Museu do Açúcar, hoje chamado Museu do Homem do Nordeste e Ariano Suassuna fazia parte do Conselho Cultural do Museu. Não tive com ele tanta aproximação como com Paulo Freire, mas acompanhava suas ideias e sua genialidade. Com Paulo Freire foi diferente, porque ele estava formando pessoas que conhecessem e pudessem aplicar seu método para alfabetização de adultos. Então tive o privilégio de aprender com ele a aplicação do método, que posteriormente ganhou projeção mundial, uma vez que a aprendizagem era construída juntamente com a ampliação da consciência política dos sujeitos. Não por acaso, Paulo Freire é até nossos dias reverenciado no mundo inteiro e aqui foi, neste governo, depreciado, o que é uma vergonha. 

 

O livro O triunfo de Pelágio e o mundo sem a Graça aborda duas questões centrais: política e religião? Como você relaciona os dois temas?

Ana Mariza: Política e religião são assuntos necessariamente relacionados, uma vez que a busca dos dois assuntos é uma ética verdadeiramente humanista. A condição humana pede tanto ações políticas voltadas para o bem comum como pede um algo mais, que só a  relação com o sagrado pode prover. No caso do Ocidente isso é gritante, já que atravessamos o século XX envoltos em duas grandes guerras e estamos percorrendo a terceira década do século XXI com índices absurdos de sofrimento e de baixíssima qualidade de vida. O ocidente está à beira de uma guerra que, se ocorrer, afetará todo o globo. E somos uma civilização chamada judaico-cristã! As pessoas que vemos naufragando em busca de um futuro melhor refletem o sintoma de uma grande e triste metáfora do fracasso ocidental. O que aconteceu com a civilização judaico-cristã? 

Qual a principal mensagem do livro?

Ana Mariza: É chamar a atenção para a desumanização que estamos vivendo e ao mesmo tempo clamar pelo ser humano em  nome do amor cristão, pura Graça. É mostrar que o fascínio pelo lucro não nos deixa enxergar o óbvio.

 

Na sua opinião, o que é necessário para o Brasil se tornar um país mais justo e igualitário?

Ana Mariza: Educação, educação, educação.   Creio que a sociedade melhor educada vai saber lutar por seus direitos constitucionais. As famílias enlutadas pela pandemia, em grande parte não foram vítimas do vírus mas sim do desgoverno, pela incompetência de gestão na área da saúde. As pessoas que morreram e/ou perderam o que tinham neste janeiro chuvoso não foi por causa das chuvas; foi pelo desrespeito constitucional ao direito à moradia, saúde e segurança.

 

Clique aqui para ler o release completo da obra O triunfo de Pelágio e o mundo sem a Graça.

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