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Animatrópole: livro infantil ajuda a desconstruir estereótipos e preconceitos enraizados na sociedade

Tempo de leitura: 4 minutos

Animatrópole: livro infantil ajuda a desconstruir estereótipos e preconceitos enraizados na sociedade

Em entrevista inédita, a escritora baiana Liu Oubiña revela a importância das histórias lúdicas na hora de ensinar aos pequenos sobre diversidade e respeito às individualidades 

 

Com um toque político ao melhor estilo George Orwell, Animatrópole é mais que uma narrativa para divertir as crianças, ela estimula o pensamento crítico desde a infância. Inspirado no clássico A revolução dos bichos, a escritora e empreendedora baiana Liu Oubiña ensina aos jovens leitores sobre alteridade, tomada de decisões, diversidade e a importância da figura feminina na sociedade.  

 

Animatrópole conta a história de uma cidade formada apenas por animais, onde tudo ia bem até que um desastre atinge o prefeito Teobald Tatu e o pânico se espalha entre a bicharada. Apesar das desavenças, os personagens assumem o verdadeiro valor da união e sabedoria, ao trabalhar o coletivo sem perder o respeito sobre as individualidades. Abaixo você confere uma entrevista inédita com a escritora Oubiña, em que ela revela a importância das obras lúdicas para formar cidadãos conscientes e questionadores: 

 

1. Para você, qual foi a importância de ler A Revolução dos Bichos para compor “Animatrópole”? Por que desejou se inspirar em George Orwell?

 

Liu Oubiña: Um dos pontos relevantes d’A revolução dos bichos é a ambição pelo poder e, em Animatrópole, pode-se ver essa temática. Após a morte do líder, um espaço foi deixado e percebemos o quanto a ambição pelo poder, o egoísmo e a vaidade tomou conta  de muitos cidadãos  para ocupar esse posto. Desejei com essa história levar a discussão e trabalhar junto às crianças questões inerentes ao ser humano, as relações sociais para alimentar nosso melhor lado, afinal esses sentimentos fazem parte de cada um e precisamos fortalecer a formação da consciência social, das habilidades individuais e cooperação para trabalharmos através da coletividade. 
 
 

2. Qual a importância de apresentar livros mais críticos às crianças? E de que forma Animatrópole acende esse senso questionador?

 

Liu Oubiña: A literatura traz lições de vida de forma imaginária, contribuindo para a formação da criança no processo de construção de sua personalidade. Por isso, as histórias servem de alimento para a imaginação, permitem a auto identificação, a aceitação, ajudam a  resolver conflitos, a lidar e entender as emoções, além de fazer com que os pequenos estimulem o senso crítico através da história. São pontos muito importantes para o desenvolvimento infantil. Ainda, Animatrópole apresenta trechos em que podemos observar  o papel da mulher  na sociedade, pois uma fêmea pequena torna-se líder e mostra sua sabedoria nata ao ver cada cidadão como alguém especial e único. Ela lidera incentivando e estimulando individualmente todos para trabalharem  em  prol da coletividade. Ela é um exemplo de como construir esse olhar na infância é imprescindível para desconstruir o preconceito e estereótipos. Essa história abre espaço para o diálogo e reflexão! 
 

3. Qual é a principal mensagem que a obra traz aos pequenos leitores? 

 

Liu Oubiña: A principal lição é sobre a construção de  uma sociedade com cidadãos emancipados e comprometidos em auxiliar o próximo, sem distinções. Trabalhar as habilidades individuais, que ajudarão o coletivo, faz com que fortaleça suas potencialidades através da cooperação, do respeito às individualidades, para podermos construir uma sociedade melhor e igualitária.  

 

4. Como Animatrópole pode fazer a criança entender sobre diversidade e individualidade? 

 

Liu Oubiña: Para termos um desenvolvimento sustentável, precisamos ter políticas de inclusão  de qualidade e excelência, em que todo cidadão faz parte sem distinção. Em Animatrópole, a escola de Bicho Feliz, ninguém ficava de fora e todos precisavam estudar lá. Seus cidadãos possuem características e habilidades  distintas, mas que são importantes para ampliar as possibilidades de aprendizados e de evolução. Um bom líder reconhece e  valoriza todos em suas individualidades, capacitando as habilidades e potencializando-as para construir uma sociedade baseada na formação humana, na cooperação, no respeito e bem comum, onde todos possuem o direito à voz. A  criança tem a facilidade de absorver as histórias de forma espontânea, ampliando a criatividade e conhecimento e, quando associadas a atividades pedagógicas, podemos fortalecer e ampliar o aprendizado. 

 

5. A obra tem um toque político. Como você construiu essa narrativa para ser de fácil entendimento para as crianças? 

 

Liu Oubiña: Ativando a criança interna, dialogando com o universo infantil e se  livrando de crenças limitantes que engessam e paralisam o ser adulto. O processo de escrita me transporta para o lugar do brincar, da ludicidade, onde posso explorar a  imaginação para divertir e inspirar. Então, foi desta forma que trouxe a visão política, explorando o lado divertido e criativo na história, mas sem deixar de mostrar a importância das coisas em níveis social e político.  

 

6. Como livros infantis podem moldar adultos conscientes? Qual a importância desse tipo de literatura que instiga o senso crítico na infância?

 

Liu Oubiña: Ler desde criança proporciona conhecimentos emocionais, cognitivos e sociais, desenvolvem capacidades importantes como a atenção, a oralidade, a interação social, criatividade, conhecimento e aprendizados, além de gerar vínculos afetivos, aumento do repertório cultural, entre outros, o que contribui para a formação de um adulto mais potente e consciente, com uma postura crítica e reflexiva. 
Dominar a modalidade da escrita de uma língua é a chave para abrir a mente e permitir se libertar do desconhecimento e da desinformação. É o que permite sermos sujeitos críticos, com liberdade para escrevermos nossa própria história. Por meio do conhecimento, e histórias como Animatrópolepodemos ter mais esperança de que é possível acabar com as desigualdades sociais. 

 

7. Quando e como surgiu sua paixão pela literatura infantil? 

 

Liu Oubiña: Na infância me divertia e vivia sonhando com as histórias de Monteiro Lobato, da Coleção Vaga-lume, de Alice no País das Maravilhas, O mágico de Oz,  Poliana,  entre tantas outras obras maravilhosas, que permitiam soltar a imaginação e criar meu mundo de fantasias. Meu diário foi a entrada para escrever sobre tudo que pensava e vivenciava. 

 

8. Quais são os desafios de ser escritora no Brasil? 

Liu Oubiña: Precisamos buscar novos caminhos para incentivar a cultura da  leitura  em nosso país, possibilitando a formação de cidadãos com maior capacidade critica e interpretativa. Geralmente, o brasileiro não tem o hábito de leitura, o que nos leva a diminuirmos nossa capacidade crítica e de discernimento e formar leitores ativos que é uma responsabilidade de todos. Este cenário leva a uma realidade de mercado difícil para as pessoas que vivem da literatura, trazendo a necessidade de termos, na maioria das vezes, ocupações paralelas. Outro desafio é se organizar para dar tempo de escrever e desenvolver as etapas necessárias para publicar o livro, pois nem sempre contamos com o apoio de uma editora ou temos incentivos mais amplos para escritores nacionais iniciantes. Fundei a Pé de Pitanga por acreditar que podemos transformar e apoiar escritores que desejam o suporte e parceria. E, claro,  é preciso apostar no Marketing para divulgar e fazer circular o livro para todo o país.  

 

Para acessar o release do livro “Animatrópole” clique aqui!

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