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O que a floresta tem a ensinar à inteligência artificial?

*Lucas Araujo

19 de dezembro de 2025
Tempo de leitura: 3 mins de leitura

Temos falado muito “sobre” e “com” inteligências artificiais. Mas é fato que em estudos mais aprofundados de como operam estes modelos de linguagem, embora poderosos, constata-se que atuam em “silos” e modelos compartimentados, focados em otimização pontual, gastando uma energia monumental para estas tarefas. A natureza, em contraste, demonstra inteligência sistêmica, com elementos conectados em convergência para a vitalidade do todo, sem usar ou demandar energia exacerbada. A floresta tem algumas lições a ensinar. 

A primeira lição é sobre redundância útil de propósito. A floresta não otimiza para eficiência imediata e centenas de espécies de árvores podem cumprir o mesmo papel. Os fungos micorrízicos são micro-organismos que formam uma simbiose benéfica com as raízes das plantas, e ajudam a planta a absorver mais água e nutrientes do solo, em troca de carboidratos. O que aqui chamo de algoritmo micorrízico são redes subterrâneas que conversam quimicamente e redistribuem recursos. A floresta não concentra, distribui. A redundância deste grande organismo é igualdade operacional: múltiplos caminhos, múltiplos atores, sobrevivência do todo. 

A segunda lição é sobre integração simultânea. A floresta não opera em fases, faz tudo ao mesmo tempo. Enquanto protege solo, expande copa; absorve carbono, alimenta fauna. Não há departamentos, mas sim integração. A humanidade criou estruturas compartimentadas: governo separado de economia, mercado separado de natureza e tecnologia separada de ética. A floresta ensina: integração simultânea não é luxo, é sobrevivência. 

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A terceira lição: temporalidade, investimento contínuo, retorno em longo prazo. A floresta investe em solos que renderão em 200 anos. Regula clima para geração que nunca a verá. Não há pressão de acionistas, não há trimestre fiscal. Há apenas continuidade. As IA são capturadas por lógica de curto prazo: otimizar para o próximo trimestre, o próximo anúncio. E o humano é quem força esta lógica.  

Esses ensinamentos são um exemplo de sinergia construída a partir da exclusão dessa incoerência sistêmica e realizada através da regeneração ambiental radical e integração entre natureza, tecnologia e humanidade. Em Biotecnosfera – Uma experiência de sociedade, proponho um mundo onde a convergência falha, gerando desigualdade extrema, tecnologia desconectada de ética, natureza reduzida a commoditie, o resultado é colapso. Mas essa distopia não é prognóstico determinista, é conjuração de possibilidade para propor ações no presente.  

Acredito que não é suficiente parar a destruição e sim regenerar: solos degradados, rios envenenados, ecossistemas colapsados. E, crucialmente, reconstruir a própria lógica de como organizamos sistemas econômicos, tecnológicos, sociais, como a natureza faz. A floresta já conhece as respostas. A questão é se ainda temos tempo de ouvi-la. 

*Lucas Araujo – empresário contábil e autor
de 
Biotecnosfera – Uma experiência de sociedade.

Redação LC

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