Não é apenas remédio, cirurgia ou terapia que salvam vidas. As amizades também. Especialmente no envelhecimento saudável, a ciência mostra que cultivar os afetos é essencial.
O psicólogo e cientista Martin Seligman, fundador da Psicologia Positiva, incluiu os relacionamentos positivos como um dos cinco pilares do modelo PERMA de bem-estar. No seu livro Florescer (2011), ele afirma: “As outras pessoas são o melhor antídoto para os momentos difíceis da vida e a fonte mais confiável para elevá-la.”
Em um tempo marcado pelo aumento da solidão (realidade que pode afetar muitas pessoas na terceira idade), fortalecer amizades deixou de ser apenas uma escolha afetiva para se tornar também uma forma de cuidar da saúde física e mental. Por um instante, lembre-se de uma situação difícil que você viveu. O que mudou quando um amigo te acolheu, ouviu, abraçou ou simplesmente ficou ao seu lado?
Neste Dia Internacional da Amizade (30 de julho), confira seis dicas para cultivar novas ou antigas amizades na terceira idade:
- Engaje-se ematividades em grupo
Certamente há coisas que você gosta de fazer: atividades manuais ou artísticas, esportes, viagens, cozinha, yoga, coral, dança circular ou tantas outras opções que a vida oferece. Participar regularmente de atividades em grupo dinamiza a vida social e favorece a plasticidade cerebral, desenvolvendo competências cognitivas, físicas e emocionais. Além disso, esses espaços aumentam as oportunidades de construir vínculos significativos. Diante de perdas, doenças ou crises, um amigo pode não resolver o problema, mas impede que enfrentemos o sofrimento sozinhos. O apoio social reduz o impacto do estresse e fortalece a capacidade de encarar adversidades, funcionando como um importante fator de proteção para a saúde.
- Cultivemicromomentosde conexão
Boas conexões estão esperando por você em cada esquina, basta estar atento a elas. Uma ida ao supermercado pode render uma boa conversa, até mesmo com um desconhecido. Relacionamentos com filhos, netos, sobrinhos e, principalmente, com amigos precisam de presença, tempo e cuidado. A psicóloga Barbara Fredrickson, uma das principais pesquisadoras das emoções positivas, mostra que essas emoções ampliam nossa capacidade de aprender, criar e desenvolver recursos para a vida. Quando dois amigos riem juntos, celebram uma conquista ou oferecem acolhimento um ao outro, podem viver os chamados micromomentos de conexão, fortalecendo o vínculo e o bem-estar de ambos.
- Escolha pertencer
Sentir que fazemos parte da vida de alguém é uma necessidade humana fundamental. O cérebro evoluiu para viver em grupo, e a exclusão social pode ativar regiões cerebrais que também participam da experiência da dor física. Não por acaso, ser aceito, lembrado e valorizado reduz a sensação de isolamento e fortalece o senso de segurança. Encontrar amigos com frequência fortalece o sentimento de pertencimento.
- Seja um bom ouvinte
Uma escuta acolhedora, uma boa conversa ou um abraço não mudam os fatos, mas podem transformar a forma como são enfrentados. Esse processo, conhecido como regulação emocional, ajuda o organismo a diminuir o estado de alerta, recuperar o equilíbrio e enxergar novas possibilidades. Boas amizades são aquelas em que há espaço para ouvir e acolher com atenção e cuidado.
- Peçaajuda aos amigos
Nosso cérebro foi moldado para viver em conexão. Na presença de pessoas em quem confiamos, percebemos menos ameaças, regulamos melhor o estresse e encontramos mais recursos para seguir em frente. Pedir ajuda e aceitar apoio não é sinal de fraqueza, mas de humanidade. Afinal, boas amizades existem para todas as horas e situações.
- Use a tecnologia a seu favor
Existem inúmeras aulas online em grupo voltadas à terceira idade, sobre envelhecimento saudável, emoções positivas, artes, literatura e tantos outras áreas de interesse. Além de favorecer o aprendizado, esses espaços aproximam pessoas e estimulam novas amizades. Quando a mobilidade está reduzida ou a distância dificulta os encontros presenciais, a tecnologia pode ser uma ponte para cultivar afetos com presença e continuidade.
“Neste Dia Internacional da Amizade, coloque a amizade em ação. Troque as mensagens prontas das redes sociais por um gesto de presença: um telefonema, um café, um áudio sincero, uma visita ou uma escuta genuína. Amizades precisam ser cultivadas para florescer. Amizades precisam ser cultivadas para florescer. Cuidar delas vale ouro e pode, sim, salvar vidas”, complementa Deborah Dubner.
*Deborah Dubner é psicóloga e escritora. Também é coautora do livro Caminhando de mãos dadas à distância: conversas com conexão, sobre o cultivo das amizades, escrito com Riva Braverman Waitman Salzstein.



