Desde que o uso de celulares foi restringido nas escolas, há pouco mais de um ano, educadores e especialistas têm observado impactos positivos na aprendizagem, no comportamento e na convivência entre os estudantes.
Segundo o professor da UNESP Marco Aurelio Alvarenga Monteiro, a medida contribui para resgatar experiências fundamentais para o desenvolvimento infantil e adolescente, muitas vezes comprometidas pelo excesso de estímulos digitais.
Mas o debate não deve ser tratado como uma disputa entre ensino versus tecnologia, de acordo com o especialista em Educação para a Ciência. O desafio está em promover um uso mais equilibrado dos recursos digitais, preservando espaços para a interação presencial, a concentração, a criatividade e o desenvolvimento socioemocional.
A seguir, o especialista destaca cinco benefícios observados com a restrição dos celulares no ambiente escolar:
1 – Mais foco e atenção no aprendizado: a ausência do celular reduz interrupções constantes e favorece a concentração dos estudantes. Pesquisas da psicologia cognitiva indicam que até mesmo a simples presença do aparelho pode impactar a capacidade de atenção e a retenção de conteúdo.
2 – Fortalecimento das relações presenciais: com menos tempo dedicado às telas, os alunos interagem mais entre si. Conversas, brincadeiras e trocas presenciais ganham espaço, fortalecendo habilidades sociais importantes para a vida em comunidade.
3 – Redução da ansiedade e da pressão social: quando se afastam temporariamente das redes sociais durante o período escolar, crianças e adolescentes ficam menos expostos à comparação constante, à busca por validação e aos estímulos que podem aumentar a ansiedade.
4 – Mais criatividade e autonomia: de acordo com Marco Aurelio, momentos sem acesso imediato ao celular permitem que os estudantes aprendam a lidar com o tédio de forma construtiva. Esse espaço favorece a imaginação, a reflexão e o desenvolvimento da criatividade.
5 – Desenvolvimento da empatia e da inteligência emocional: o contato presencial possibilita a leitura de expressões faciais, gestos e tons de voz, elementos essenciais para compreender emoções e construir vínculos. A convivência direta ajuda a desenvolver empatia e habilidades socioemocionais que dificilmente são reproduzidas no ambiente digital.
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*Marco Aurelio Alvarenga Monteiro é professor associado e livre-docente da UNESP, mestre e doutor em Educação para a Ciência, com atuação em Física e Robótica Educacional. É autor do livro Nos Labirintos do Eu, obra que aborda temas relacionados ao autoconhecimento, comportamento e desenvolvimento humano.



