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Imigrantes, uma riqueza ignorada

*Anamaria Kovács

23 de setembro de 2025
Tempo de leitura: 2 mins de leitura

O que leva uma pessoa, em qualquer idade e de qualquer origem, a deixar o seu local de nascimento para migrar para outro lugar, onde tudo é diferente – cultura, língua, costumes e ambiente? 

Em tempos passados, era muito mais difícil – e até perigoso – deixar o “ninho” para trás e aventurar-se pelo mundo. Mesmo assim, a rapaziada botava uma mochila nas costas e saía por aí, para o que desse e viesse. Para as garotas não era assim, mas, atualmente, até parece que são elas que mais se apresentam para intercâmbios no estrangeiro. No estado atual das comunicações, é possível informar-se sobre tudo que se relaciona com o país a ser visitado, seja para estudar ou passear. O que antes acrescentava uma aura de mistério à nova terra a explorar, hoje está ultrapassado. 

Só mesmo uma mudança drástica nos planos é capaz de alterar a rota traçada, seja por algum evento no país estrangeiro, problema de saúde ou outro, de natureza particular. No entanto, não são só os jovens independentes que saem por aí. 

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O que vemos, hoje, é outro fenômeno: a migração forçada de populações inteiras, movidas pela fome, falta de oportunidades, problemas políticos ou da própria natureza, como secas, enchentes, tornados e outros. Regiões de todo o mundo têm sido afetadas. 

Exemplo disso são as migrações de europeus – principalmente de italianos e alemães – para as Américas, no século 19. Vindos inicialmente em navios a vela, em viagens que duravam meses, sujeitos a condições sub-humanas, amontoados e com poucos pertences além de algumas roupas e bíblias, esses migrantes sujeitavam-se a tudo para escapar à miséria em seus países de origem. Regiões de clima mais ameno, no Sul do Brasil, receberam muitas levas desses imigrantes, mas não só essas. 

Cidades grandes, como São Paulo e Rio de Janeiro, também foram visadas por migrantes com outras ambições, como comerciantes, artistas, intelectuais, principalmente no período entre a Primeira e a Segunda Guerra Mundial. Cidadãos do Leste Europeu e do Oriente Médio, assim como os japoneses e coreanos, afluíram às metrópoles brasileiras. 

Todos esses afluentes culturais trouxeram ao nosso país uma imensa riqueza, em todos os sentidos: tanto na agricultura quanto na indústria, esse encontro entre o brasileiro “raiz” e povos de outras origens e costumes, abriu não só a economia a novas técnicas e meios, mas também enriqueceu a nossa cultura e a inseriu no contexto mundial. 

*Anamaria Kovács é jornalista, escritora, professora universitária
e autora do livro “Antepassados – para lembrar com ternura”

Redação LC

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