• Quem somos
  • Fale com a LC
  • Trabalhe conosco
  • Política de Privacidade
LC - Agência de Comunicação
  • Início
  • Quem somos
  • Produtos e Serviços
    • Assessoria de Imprensa – Press LC
    • Assessoria de Imprensa – Master LC
    • Produção de livros
    • Leitura Coletiva
    • Leitura Crítica
    • Cursos para escritores
    • Mentoria Arquitetos do Livro
    • Mentoria DNA Best-Seller
    • Consultoria com Plano de Marketing
    • Consultoria de Marketing + Criativos LC
    • Assessoria e Consultoria para Editoras
    • Desenvolvimento de Sites
  • Livros Divulgados
    • Autoajuda e Esoterismo
    • Ficção
    • Infantojuvenil
    • Não Ficção
  • Blog
    • Geral
    • Entrevistas
    • Artigos
  • Fale com a LC
  • Trabalhe Conosco
Sem resultados
Ver todos os resultados
  • Início
  • Quem somos
  • Produtos e Serviços
    • Assessoria de Imprensa – Press LC
    • Assessoria de Imprensa – Master LC
    • Produção de livros
    • Leitura Coletiva
    • Leitura Crítica
    • Cursos para escritores
    • Mentoria Arquitetos do Livro
    • Mentoria DNA Best-Seller
    • Consultoria com Plano de Marketing
    • Consultoria de Marketing + Criativos LC
    • Assessoria e Consultoria para Editoras
    • Desenvolvimento de Sites
  • Livros Divulgados
    • Autoajuda e Esoterismo
    • Ficção
    • Infantojuvenil
    • Não Ficção
  • Blog
    • Geral
    • Entrevistas
    • Artigos
  • Fale com a LC
  • Trabalhe Conosco
Sem resultados
Ver todos os resultados
LC - Agência de Comunicação
Sem resultados
Ver todos os resultados

Qual é o papel da narrativa literária na reflexão ética sobre a alteridade?

Wigvan Pereira dos Santos é filósofo (UFG), mestre em Estudos Comparados (USP), doutor em Ciências da Literatura e Modernidades Comparadas (Uminho), professor de Metodologia e Orientação Monográfica e autor do livro "O metafísico, o real e o sexo: ensaios sobre as literaturas de Goiás e Cabo Verde"

20 de outubro de 2026
Tempo de leitura: 5 mins de leitura

Wigvan Pereira dos Santos  

O filósofo lituano Emmanuel Lévinas ocupa uma posição singular na filosofia do século XX porque sua reflexão sobre a ética nasce sob a marca de uma experiência histórica na qual a própria ideia de humanidade foi radicalmente posta em questão. Nascido em 1906, na Lituânia, formado pela tradição judaica e pela filosofia europeia, Lévinas viveu a ascensão do nazismo, foi capturado em 1940 e permaneceu prisioneiro em um campo de trabalho para oficiais franceses. Sua família lituana foi assassinada durante a guerra, enquanto sua esposa e sua filha sobreviveram escondidas na França. Sua obra De l’existence à l’existant, iniciada durante o cativeiro, e os textos posteriores são construídos a partir da memória desse mundo destruído.  

Esse contexto não transforma automaticamente sua filosofia em uma filosofia “sobre o Holocausto”. A questão é mais radical: como pensar a relação com o outro depois de uma experiência histórica em que seres humanos foram reduzidos a categorias, números e corpos elimináveis? Lévinas desloca, então, o centro da Filosofia da ontologia para a ética. A relação fundamental não começa com um sujeito que conhece um objeto, mas com o encontro com outro sujeito que não pode ser inteiramente assimilado pelo conhecimento. O rosto não designa simplesmente uma face visível; é a manifestação de uma alteridade que interrompe a soberania do eu e o coloca sob uma responsabilidade que não resulta de uma decisão racional prévia.   

Leia também:

Até onde chegar, se nem dá para começar?

Seguir tendências estéticas pode custar a naturalidade do rosto

Recomeçar não é começar do zero

É nesse ponto que a Literatura Russa adquire importância particular para Lévinas. Temas como responsabilidade, culpa, assimetria da relação intersubjetiva e responsabilidade pelo outro encontram na Literatura Russa uma das suas condições intelectuais de elaboração.  

Dostoiévski fornece uma forma impactante para se pensar aquilo que o conceito ético procura formular. Em Os irmãos Karamázov, a responsabilidade não aparece como uma regra universal aplicada indistintamente aos indivíduos. Ela surge como acusação, dívida, culpa e obrigação diante de alguém concreto. A célebre formulação de que cada um é responsável por todos não funciona, na leitura levinasiana, como princípio jurídico: ela desloca a subjetividade de sua posição de autonomia para uma relação de responsabilidade que a precede. A Literatura permite que essa estrutura seja experimentada narrativamente antes de ser reconstruída filosoficamente.  

A importância da Literatura para o pensamento de Lévinas, portanto, não reside em oferecer exemplos de uma ética já constituída. A narrativa fornece situações nas quais a alteridade pode aparecer sem ser imediatamente reduzida a uma categoria. A culpa de Ivan Karamázov, a responsabilidade de personagens que não escolheram livremente sua obrigação ou a presença de alguém vulnerável produzem configurações que tornam sensível uma assimetria que a Filosofia depois conceitualiza. O argumento filosófico encontra no texto literário não uma demonstração, mas uma experiência concreta de seu próprio problema.  

Essa relação também explica uma tensão importante no pensamento de Lévinas: uma espécie de desconfiança em relação à arte. Se a Literatura pode contribuir para a formação de sua filosofia, isso não significa que toda experiência estética seja, para ele, eticamente privilegiada. A obra de arte pode produzir fascinação e encerramento na imagem, enquanto a ética exige abertura ao outro. A Literatura interessa, nesse sentido, não simplesmente enquanto arte, mas quando sua linguagem consegue colocar em movimento uma questão que excede a representação. Há aqui uma tensão produtiva entre a linguagem literária e a linguagem ética.  

Essa tensão torna-se ainda mais significativa quando se considera que, segundo pesquisas sobre seu espólio, Lévinas chegou a escrever fragmentos substanciais de dois romances, Éros e La Dame de chez Wepler, ambos relacionados à experiência da Segunda Guerra Mundial. Aquele que filosoficamente desconfiava das mistificações da arte também experimentou a escrita ficcional como possibilidade de elaboração da guerra.  

A Literatura participa da experiência filosófica em Lévinas por uma via distinta daquela em que um romance simplesmente “ilustra” uma teoria. Ela oferece uma linguagem capaz de colocar o sujeito diante de uma responsabilidade que não nasce da autonomia do eu, mas da irrupção de uma alteridade que o antecede. O romance não resolve o problema ético; conserva-o em uma situação, em uma voz, em uma relação entre personagens. É justamente essa resistência à redução conceitual que permite à literatura participar da construção de uma filosofia na qual a pergunta fundamental deixa de ser apenas “o que é o ser?” e passa a ser: o que significa responder por alguém que não pode ser reduzido àquilo que se sabe sobre ele? 

Wigvan Pereira dos Santos é filósofo (UFG), mestre em Estudos Comparados (USP), doutor em Ciências da Literatura e Modernidades Comparadas (Uminho), professor de Metodologia e Orientação Monográfica e autor do livro “O metafísico, o real e o sexo: ensaios sobre as literaturas de Goiás e Cabo Verde”

Redação LC

Redação LC

Somos um time de jornalistas apaixonados por livros e cultura.
Tem uma boa redação? Faça parte da nossa equipe, clique aqui.

Continue lendo:

Até onde chegar, se nem dá para começar?
Artigos

Até onde chegar, se nem dá para começar?

19 de outubro de 2026
Seguir tendências estéticas pode custar a naturalidade do rosto
Artigos

Seguir tendências estéticas pode custar a naturalidade do rosto

19 de outubro de 2026
Recomeçar não é começar do zero
Artigos

Recomeçar não é começar do zero

19 de outubro de 2026
Christopher Dunn lança biografia   que marca os 90 anos de Tom Zé
Artigos

Christopher Dunn lança biografia que marca os 90 anos de Tom Zé

13 de outubro de 2026
Inscrever
Login
Notificar sobre
guest
guest
0 Comentários
[the_ad id="21159"]

Inscreva-se para receber nossas notícias em primeira mão

Escritórios em: São Paulo/SP e Jaraguá do Sul/SC
contato@lcagencia.com.br | comercial@lcagencia.com.br
Editoras atendidas pela LC:

© 2026 – Feito com 💖 por Equipe LC

Sem resultados
Ver todos os resultados
  • Início
  • Quem somos
  • Produtos e Serviços
  • Livros Divulgados
    • Autoajuda e Esoterismo
    • Ficção
    • Infantojuvenil
    • Não Ficção
  • Notícias
    • Geral
    • Entrevistas
    • Artigos
  • Fale com a LC
  • Trabalhe conosco
wpDiscuz