“Política não se discute.” A frase atravessa gerações como uma espécie de regra de convivência, mas é justamente essa ideia que Política: decifra-me ou te devoro!, do educador Edson Gabriel Garcia, publicado pela Cortez Editora, coloca em questão. Em período eleitoral, quando decisões públicas ganham destaque nas conversas, nas telas e nas disputas, a obra parte de uma constatação essencial: não acompanhar a política não significa estar fora dela. As escolhas feitas por governos e instituições interferem em direitos, serviços públicos e condições de vida, enquanto a falta de entendimento sobre esses processos pode favorecer a apatia e afastar o cidadão dos espaços de participação.
É a partir dessa proximidade com o cotidiano que o autor propõe uma introdução à alfabetização política, voltada especialmente a leitores que não dominam a linguagem das instituições. Ética, moralidade, poder e cidadania aparecem em uma narrativa informal, sem o peso dos manuais acadêmicos. A polarização ideológica também entra em cena como um fenômeno a ser compreendido, e não simplesmente reproduzido, em um percurso que busca oferecer instrumentos para interpretar diferentes discursos e posicionamentos presentes na vida pública.
A escolha pela conversa, e não pela aula tradicional, é parte da identidade do livro. Garcia não se coloca como detentor de respostas definitivas, mas estimula o leitor a questionar, discordar, reclamar e fazer anotações nas margens. Esse diálogo ganha ainda uma dimensão visual nas ilustrações de Kiko Garcia, que recorre à sátira para representar conceitos. A urna eletrônica servida sob uma travessa, o monstro de várias cabeças associado à censura e os macacos que não veem, não ouvem e não falam transformam ideias abstratas em imagens provocadoras e bem-humoradas.
Educar-se politicamente faz parte do rol das aprendizagens urgentes da contemporaneidade, algo como preparar-se para viver a cidadania. Nesse sentido, temos que falar em uma Educação para a Política. A Educação para a Política precisa ter, de modo geral, o mesmo tratamento que outros campos do saber: definição de objetivos, levantamento de conceitos e aplicação. E o caminho é o desenvolvimento do pertencimento e responsabilidade, a conscientização e a oportunização de experiências com participação em instâncias participativas.
(Política: decifra-me ou te devoro!, p. 167 )
A discussão se torna especialmente atual quando chega às mídias sociais e à circulação de fake news. Em ambientes nos quais informação, opinião e manipulação podem se misturar em poucos segundos, a obra aborda os efeitos da desinformação, os chamados gabinetes do ódio e os riscos da alienação política.
A reflexão de Edson Gabriel Garcia se estende à defesa do Estado democrático e à memória histórica, recuperando experiências de autoritarismo para reforçar a importância de preservar direitos e reconhecer o valor da participação cidadã. Nesse sentido, compreender a política deixa de ser apenas uma questão de interesse pessoal e passa a integrar o próprio exercício da democracia.
Política: decifra-me ou te devoro! oferece diferentes caminhos para discutir voto consciente e engajamento democrático, e o título se transforma em pergunta aberta ao leitor: diante de uma política que está presente em tantas dimensões da vida, vale a pena não tentar decifrá-la?
Ficha técnica
Título: Política: decifra-me ou te devoro!
Autoria: Edson Gabriel Garcia
ISBN: 978-65-5555-338-3
Formato: 16x1x23cm
Páginas: 176 páginas
Preço: R$ 85,00
Onde encontrar: Amazon
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Sobre o autor
Edson Gabriel Garcia atua na Educação, como professor e diretor de escola pública. É autor de livros infantis e juvenis, didáticos e paradidáticos. Escreveu sucessos como Amoreco, Sete gritos de terror, País dos avessos, Tesouro perdido do gigante gigantesco, Diário de Biloca e Quanto vale uma vida?, entre outros. Também atua há cerca de vinte anos na política institucional, como assessor parlamentar.
Sobre o ilustrador
Kiko Garcia é formado em Comunicação e Artes pelo Mackenzie, pós-graduado em Design de Hipermídia e licenciado em Artes Visuais. Atualmente, é mestrando em Comunicação Audiovisual pela Universidade Anhembi Morumbi. Há mais de vinte anos, trabalha com ilustrações editoriais, design gráfico e de web, animações, oficinas criativas e produção de histórias em quadrinhos.
Sobre a Cortez Editora: Foi a solidez do trabalho feito que estimulou a Cortez Editora a expandir e mostrar ao mundo toda a riqueza da cultura brasileira e a densidade ímpar de seus autores. Seu catálogo é referência nas áreas de Literatura Infantil e Juvenil, Educação, Serviço Social, Ciências da Linguagem, Ciências Sociais, Ciências Ambientais e Psicologia.
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